segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

receita.

para miopia, óculos.
para soluço, água ou prender a respiração.
para folhas secas, estação.
pra dor na garganta, hortelã.
para dores no coração, paciência.
para palavras difíceis, dicionário.
para luz, eletricidade.
para feriados, diversão ou descanso.
para respostas, perguntas.
para gangorra, dois.
para mudanças, coragem.
para roupa suja, sabão.
para solidão, amizades.
para boas notas, estudos.
para romatismo, luz de velas.
para sol, praia.
para você, eu.
e para amor, ...você.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

acidente de percurso

- Eu disse pra você! Eu disse!
- Mas... mas.. eu não sabia que ia ser exatamente assim.
- Eu cansei de falar: nao solta as mãos assim logo de início, e se possível, fecha os olhos!
- Mas, é que a ansiedade, o frio na barriga, saber que a ladeira tava próxima, e.. era coisa demais para ver!
- Eu sei disso, mas agora você ta aí..assim..
- Por que? Por que doi tanto?!
- Porque a vida as vezes pesa demais, e recebe-la assim, de uma vez, pode ser até mortal!!
- Mas...por que?!
- Porque se tudo fosse leve demais, a gente nunca ia aprender a ficar forte!
- MEU CORPO TODO TA DOENDO!!
- ... (risos leves)
- O que foi agora? ( voz engasgada com gosto de lágrima)
- Eu sei (braços ao redor do outro corpo trêmulo), por mais que tenha milhões de avisos... é inevitável.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

hoje.

eu queria sair pela rua!
revestida de coragem.
trajada de intrepidez.
com olhos ternos
e cheios de mistérios
com palavras reais
e significativas.
queria correr pelas favelas e bairros nobres
queria sentar na sarjeta e conversar com reis
um discurso de vida plena, abundante
que arrebatasse os coraçoes
Ter um grito de esperança
desfazendo esse peso de existir.

ah.. eu queria sair pelos becos
queria adentrar portões
subir em palanques
e estar em todas as televisões.

dizer, enfim, que ainda é possivel sorrir
e esse vazio...banir!
e viver uma paz descomedida que transborda
e vira vida
e toma as ruas,
e vira rima, vira cançao
por nao caber em uma só palavra
ou em um só coraçao.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O reino do Sol.


Sem perceber estava eu andando pelo reino do Sol. De início meus passos ainda se encontravam como intrusos e tive vergonha de avançar. Tudo era extremamente diferente de mim. E depois de alguns passos, comecei a admirar o local. Um estalo de vida me acordou e o reino do Sol me chamava cada vez mais forte. Algumas horas depois eu caminhava como quem acaba de nascer, obsorvendo cada detalhe a minha volta. Ora era eu, adorando a realidade que me cercava. Ora era meu corpo com orgulho de simplesmente existir. O reino do Sol em mim. Eu no reino do Sol.

Ao longe, me deti em um campo imenso, eram flores vermelhas e laranjas, amarelas e brancas, como tudo ali. Provei de frutos ardentes, fogueiras de vida nasciam por dentro. Tentando não me queimar com tanta beleza, dancei uma música nova entre elas, intensa, impetuosa, sua melodia me elevava, sua letra me emocionava, sua dança era pulsante no meu peito; sou capaz de jurar ter ouvido as flores, as árvores, os galhos me companhando em meu canto de novidade. Era beleza demais para se calar. Um vulcão de melodia erupcionava pelos meus poros, em tudo eu escutava aquela canção borbulhando notas de fogo, ritado seus sons ardentes ao mundo.

Exausta, sentei a beira de um lago tépido, febril, levei aquela água ao meu rosto, deixando os pingos quentes descerem calmamente pela minha pele, e não conseguindo me conter, deitei seu manto sobre mim, primeiro tomando meus pés, em seguida minhas pernas, meu peito, até que todo meu corpo foi envolto por uma corrente de calidez. Um renovo. Novo. Uma vida em brasas.

Voltando a estrada, percebi-me distante demais.Porém, optei por continuar o passeio, ali já não existia nada que me assutasse, tudo era o Sol, e de fato, nos conhecíamos bem, anos e anos acordando com seus beijos em forma de raios, aquecendo meus dias, fervendo meu ser.

Andei sem rumo fotografando mentalmente o máximo de vida que eu pudesse aguentar. O calor dali me fazia sentir em casa, sem dúvida, ele adorava minha visita.

O reino do Sol, cálido em si mesmo, era ilimitado e lindo, tudo tão vivo, tao cheio de cor. A cada passo me detia em novas formas e tamanhos,tudo respirava , tudo sussurrava segredos quentes e vívidos, uma grande bola de luz, tudo era dia,flamas voando pelo ar, eu podia ver fagulhas alçando vôo bem na minha frente.Eu me sentia parte daquele calor.

Caminhava sem parar, ali eu desconhecia a palavra cansaço. E entao, quando menos percebi, havia chegado ao outro lado. Não reconheci aquela face.Me deparei com a fronteira, paralisada, olhos arregalados, boca aberta, grito suspenso no ar. Uma mistura de medo e sobressalto, eu havia sido traída. Ele jamais me contara sobre aquilo! Por que? Por que destruir tudo com segredos?!

- Mentiroso! Mentiroso! - Eu repetia desequilibrada! Não seria crime destruir tantas convicções assim?! - Desleal! Infiel! - Eu bradava a plenos pulmões. Destruindo alianças, jogando memórias ao vento, correndo com afã sem direção e soluçando copiosamente diante de tal perfídia. Sentia forças me abandonando enquanto meus gritos violentos atacavam meus sentimentos.Eu estava sem ar. Tudo era uma grande fraude. Por que?!

Desconsolada, sem rumo, corri em desespero por todos os lados, meus olhos não acreditavam,meu ser chorava desconfianças, eu queria gritar desaforos, queria que ele sumisse de meus pés. Desejava que meus passos pesados o machucassem, que minhas lágrimas caíssem como pedras de rancor pelo chão. Eu tropeçava em suas mentiras, toda a minha confiança havia sido derretida, via minhas canções fugindo dos meus sonhos, e corria sem acreditar no que crescia dentro de mim, tudo rodava, tudo mudava, era uma mentira após a outra. Eu jamais acreditaria nele de novo.

A triste verdade esmagava meus peito com suas mentiras.

O outro lado do sol, é frio.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

partida

Eu a vi acenando

Longe e pálida

Com um sorriso impávido

Com um olhar firme, sem distração.

Destemida andou até o final da esquina

Com passos pesados e funestos.

Deixou escapar uma lágrima pertinaz,

Que nem se deu ao trabalho de enxugar.

Suspendeu o braço e gritou adeus.

Nunca havia ouvido voz tão doce.

Nunca havia ouvido essa melodia,

Fúnebre, negra, sem sentido

Triste, abatida...Urgente.

Eu corri avidamente para abraçá-la

Chorei copiosamente sua despedida

Quando cheguei, finalmente,

Era tarde demais, minha vida se foi...


(poesia mais ou menos antiga, mas... a correria de final de periodo logo logo acaba! bom final de semana, queridos!)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

cento e trinta e nove.

Eu quis correr, me cobrir de trevas, afundar meus olhos na escuridão. Eu quis entregar minha língua a falácias, me vestir de sofismas, alimentando meu ego com mentiras sutis. Eu cheguei a escalar montanhas altíssimas, abraçando o cume, desejando a solidão. Gritei não-verdades as nuvens, xingando o firmamento e meu próprio corpo, odiei meus traços traindo minha alma, ...minha unica alma. Eu tentei entrar em rodas de falsidade, me entorpecendo com hipocrisias, fazendo amigo o engano, entregando meus passos trôpegos a antíteses. Quis também ser um avesso, caminhando numa linha tênue de loucura, estaziada por absurdos, me apoiei em desvaneios e ilusões.
Mas descobri que nem assim aquela verdade pulsante que invadiu meu peito, quando eu te encontrei, deixaria de sussurrar no meu ouvido, os teus olhos doces de amor nao deixariam de seguir meus passos, por mais estúpido e errante que eu fizesse meu andar, o perdão e o abrigo nos teus braços sempre se fazem presentes. Constrangida diante dessa força, que nao cabe em mim, resolvo transpirar e aspirar essa suave fragância de pura existência.

domingo, 2 de dezembro de 2007

De alguma forma, fazem parte de mim...

uma familia feita de amigos,amigos que sao feitos de familia,um príncipe,dorflex,2010, receitas,por do sol, los hermanos, literatura, bossa-nova,café com leite,coca cola, brigadeiro, crônicas,listas,fotos espalhadas no quarto, etta james,rascunhos,parênteses, tulipas, audioslave,sutian preto,brilho eterno de uma mente sem lembranças, medeixas roxas, chinelos e salto alto,filosofia, vinicius de moraes,lasanha da mamae,bolo de chocolate, clarice lispector,damien rice,cinema, dor de cabeça,desmemória, hilda hilst, praças, dúvidas, estantes de livros,Letras,argumentos, greys anatomy, marisa monte, musica de velho, gilmore girls, lifehouse,silêncio,vitaminada de banana,miopia,ligaçoes de madrugada, sapatilha de ponta,all star, datelli, foo figthers, rob bell,lágrimas no chuveiro, lápis-de-olho, gabriel garcia marques, ryan goslin,argolas,torta de morango, filmes de comedia romantica,tarsila do amaral,aulas de portugues,ênfases, milk shake de ovomaltine, músicas,viagens, poesias, canal brasil, oswaldo montenegro,pircigns, crunch e lance,saudades,unhas vermelhas,pretas ou normais, óculos, biotonico fontora,maçã, placebos, cult,preguiça, esfoliante, purê de batata, cozinha,heros,blogs, estrelas, asas, leoni,futebol,beterraba, realismo fantástico, venus, ipod,estephen speaks,praça dos bilhares, antes do amanhecer e antes do por do sol, cronicas de narnias,imaginação fertil,andanças, the office, sorvete, sorrisos, parque do idoso, mpb,vinho,cs lewis, adriana falcao,mIrc, amelie poulain, leite condensado, peixinhos,reticências, barcos,neologismo, distâncias, ingles, perfume doce,tatuagens, entre outros...e outros..e outros...

de que você é feito?