terça-feira, 30 de junho de 2009

espera.

Esperando a sorte do amor tranquilo...suspiro Hildas, choro Caios, danço Vinicius, cantarolando Chicos e Toms. Vou vivendo entre bossas e rimas, dobrando a vida em flor, cultivando a lágrima próxima dos olhos, as vezes muda, com cara de misterio, as vezes contente com o que é mesmo fundamental,tentando expandir a alma, procurando um pouco mais de calma,deixando o coração bater no ritmo da vida, ora samba, ora chorinho... Acordo devagar para nao atropelar a existencia que cresce junto com o sol pelas paredes do meu quarto... assim eu vou embalando o corpo, mexendo as cadeiras, sussurrando poesias, e esperando..esperando..esperando...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

natural.

eu quero ter o orgulho natural de ter um corpo.
me segurar na descoberta da vida, onde o universo todo dança ao meu redor.
quero tanto entender (ou me perder) na dimensao dos meus braços e pernas, que somados a minha alma podem ultrapassar a racionalidade insegura de meus pensamentos mesquinhos tao enrraizados ao meu passado, quero abraçar de olhos abertos as infinitas possibilidades de um futuro surpreendente, e tao meu.
quero o orgulho natural de ter um corpo, a dança simples da espontaneidade de ser.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

sala-de-espera

Eu me vejo tremendo de medo nessa sala de espera, aqui meu coração bate forte e fundo, como se a multidao de sonhos falidos habitassem juntamente com os do porvir, e toda a população de choros e dores tivessem o peso de toneladas. aqui minhas costas doem, meus musculos reclamam; é pequena demais, o ar é rarefeito demais, e minha ansiedade é pesada demais pra mim.
Mas eu tento lembrar constantemente que a sala é apenas de espera, e eu posso sentir o cheiro das flores que vem vindo... posso sentir a calmaria logo ali dobrando a esquina...sussurrando meu nome. a esperança que vem convidando a eternidade para poetizar a vida comigo. o ar cheio de novidade circulando e beijando meu corpo...
Eu quero ver as cores mais vivas invadindo meu peito, quero dançar com as nuvens e os raios de sol a música que ecoa pelo universo ao meu redor; já posso quase sorrir sem peso nos lábios, já posso quase abrir meus olhos sem receio. depois que tudo isso passar... eu vou alçar os vôos mais altos, vocês vão ver, vou ter aquela paz sincera do amor tranquilo, do fim de tarde, do sono bom...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Viagem.

Então eu sento na minha cadeira cativa, onde o ângulo perfeito da minha janela continua sempre a me esperar. Inspiro o cheiro do café, tão meu, passo a mão sobre os relevos da capa do livro-do-dia, como que esperando que suas poesias morem em mim como tatuagem.
Introspectiva, sinto a mente borbulhar, memórias, realidades, fantasias, sonhos, danos, dores, choros, risos, saudades, vontades, e suspiros assumem seus postos, se seguram no meu corpo, nos meus cachos e nos meus olhos cansados, e decidem embarcar comigo nesta viagem, tão minha.
Fecho os olhos, sussurro à Deus orações avulsas, tão verdadeiras, e no interior do meu interior me cubro de silêncio. Somento eu no meu sossego hermético consigo enxergar coisas impossiveis a olho nu. Aqui não tenho máscaras, tão irreais, e minha nudez pálida é crua e sincera.
Depois levanto com horizonte saltando dos olhos e abraço a vida com gosto de aventura nos lábios.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Solitude.

Meu universo paralelo, meu cantinho particular. meu intermundo. meu espaço inconfundivel. Te encontro nos livros, nas bossas e nos sorrisos. Onde o tempo não tem relogio, onde as horas não se conhecem e o clima sempre tem cheiro de primavera. Ali, aprendo a me afogar em silencio bom, renascer em rimas e melodias, aprendo a como olhar pra dentro de mim e me deparar com a beleza, e com sonhos lindos que eu havia esquecido por conta das cicatrizes tão evidentes que vou adquirindo pelo caminho.
Ali, sinto meus pés deixando o chão bem devagar, a gravidade pedindo licença e impulsionando minhas asas...e de repente sou e e o azul. Infinitamente azul. E tudo o que eu quero: é morar nesse azul. cheio de paz. bonito demais.
Sinto o meu corpo todo se entregando, minha pele é beijada pelo sol , as nuvens me conhecem, e o vento passa sussurrando eternidades e poesias no meu ouvido.
Meu universo paralelo, passo o dia te procurando pelas ruas, nos olhares, nos sabores, nas palavras e segredos. Vens em entrelinhas, as vezes fora de contextos explicitos, e chegas assim...me arrebatando toda, me deixando boba e me dizendo que ainda é possivel sorrir.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Voz.

Eu quero a voz da verdade que quando usada transforma o mundo gris em arco-iris, transforma guerrilhas em paz, solidão em aconchego, e asfalto em jardim. Quero que ao falar a melodia desprenda cadeias, liberte cativos, salve crianças da escravidão e coloque sorriso no rosto dos velhos.
Poque me incomoda e eu não consigo disfarçar, me impulsiona em um grito de dentro pra fora, e subtamente quero falar e falar e não só babulciar banalidades.
Eu quero voz de mundança, de progresso, de novidade.
Que nao se segura, que não se abala. Que não se conforma com a injustiça e não procura seus interesses. Quero voz que seque lágrimas, adormeça pranto, acolha rejeitados, traga ritmo a corações roucos, tire dormencia da impessoalidade, que seja farol e devolva sonhos perdidos.
Quero voz de revolução, dessas sem armas com abraços e flores..voz que só vai cessar quando o universo inteiro estiver cantando a mesma canção.

terça-feira, 3 de março de 2009

desapego.

Eu te vi chorando atrás da porta. Quis abrir e te abraçar. Quis rir do passado e dizer que estava tudo bem. Quis te oferecer meu colo, meu ombro, minha paz.
Mas segurei as chaves contra o peito, derramei um pranto silencioso, e deixei a luz apagada.
Bateste algumas vezes na madeira com o punho fraco, e eu sentia meu próprio coraçao batendo mais devagar.
Não sei se essa tortura durou horas ou dias, meu relógio ficou na caixa de coisas que tive de devolver, mas depois disso veio o silêncio, e os passos na direçao oposta. Pedi aos céus que desanuviassem os meus olhos e que te levassem em paz por esse caminho desconhecido que existe por tras dessa porta, esse reino que parece crescer de dentro pra fora.