Confesso que tive medo de perder aquela dor. Por anos eu me resumi àquela pontada segura entre o peito, sem ela o que seria de mim...?
toda noite a certeza de que esse cancer iria me acolher na cama, e iria me envolver com seus braços crueis, mas..eu nao mais dormiria sozinha.. Pela manhã o beijo amargo da dor de existir, latente, pulsante, exibia diante dos meus olhos meu fracasso presente nas minimas açoes do meu cotidiano. Tive medo de perdê-a. por mais insano que isso possa parecer, ela era a unica que respirava comigo no meu terror de viver; ela me alimentava, suprindo-me com lágrimas de fel, ácidas, misturadas com o prazer de sofrer, choramingando compulsivamente no escuro, abraçada com minhas pernas contra o meu corpo. Um feto. um Ser. um Só.
tive medo de nao mais ser eu se ela se desprendesse de mim.
Quase morro como em uma mesa de operaçao ao sentí-la se desprendendo do meu peito, se despedindo da minha mente,dessaraigando-se dos meus pensamentos, soltando-se lentamente da minha vida. como um suspiro repentino de um asmatico que encontra uma fina camada de ar para se segurar.
e eu... eu tive medo de perdê-la. Apesar de saber que tavez tudo seria melhor sem ela, eu seria novamente um recem-nascido, aprendendo a sentar, a falar , a calar, a sorrir com ou sem razao, eu teria que dar novamente primeiros passos, e pra falar a verdade, eu ate ansiava pelos primeiros tombos na esperança dela voltar pra mim..
eu tive medo de perdê-la;
hoje já respiro ar como um presente. e nao apenas como uma casualidade...
Enfim entendi que a vida nao foi feita pra se morrer todo dia.
quem sabe um dia ela volte e encontre um eu diferente.
terça-feira, 13 de novembro de 2007
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15 comentários:
parece loucura, mas ñ é...
tem q a gente q se acostuma c a dor, eu vivi assim durante muito tempo, mas consegui me desprender dela...
bjo :*
O medo de perder aumenta a dor até que já sem medo respiramos aliviados...
O pior do ser humano é fazer normal a anormalidade.
Dia lindo,flor
beijos
hábito... isso um dia ainda pode nos matar..
bjinho flor =)
Eu já vivo isso, medo de perder uma dor, por mais insano que pareça, sei bem como é isso. A gente precisa daquilo até mesmo para respirar. Mas a gente tb aprende a respirar sem...
Beijo
eu passo por vários conflitos.. hehehe.. queria ter sempre após eles, pensamentos mais otimistas como esse. :) Beijocas
passando rapidão pra te avisar que tem um selo pra ti noo meu blog.
passa la, recebe, e de pra outras pessoas. ou não.
que tocante isso, marta... eu preciso 'me libertar' dessa dor, desesperadamente... porque, ao contrário de vc, às vezes penso que ela me vai dominar... e isso sufoca... não é o que quero... mas não sei como mudar... como foi pra vc?
é essa dor que vem e que passa, em que deixa o mundo irresistivelmente tragico e caótico.
É o aroma de pimenta no fundo da panela de ilusoes!
otimo texto!
É verdade ??
quando a gente tem uma dor assim, demora pra se acostumar com ela.
mas quando a gente se acostuma, demora pra desacostumar.
e quando a gente desacostuma, é que a gente vê quanta coisa a gente perdeu entre acostumar e desacostumar.
=*
e eu não conheço mais ninguém que sabe fazer de simples palavras algo tão saboroso.
Daqueles textos dignos de aplausos.
Li num fôlego só, e simplesmente amei.
Bjos!
"o poeta é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente
E os outros, na dor lida sentem bem
não as duas que ele teve
mas as que não têm"
Fernando Pessoa
Eu também as vezes faço da minha dor a minha companhia, mas normalmente consigo colocá-la de volta na prateleira quando termino o poema que ela me deu... estranho não é?
Um abraço
nussa, muito muit bom...
e, como diz o beto gessinger, "não vou viver pra sempre nem morrer a toda hora"
eu li tudo isso, me identifiquei e só lembrei da macabéa!
;*
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