Os raios intensos e alvos escorriam suas volúpias na pele áspera do asfalto, as nuvens caminhavam vagarosamente no azul, como se o tempo não possuísse gravidade, gravíssimos segredos guardados no céu, desejo dos pássaros versados em cantos.
Uma tarde absurdamente comum, o calor crescia inclusive nas almas, e o vento, quase raro, sussurrava inconseqüências testemunhadas na noite morna anterior. O suor impregnado nos poros dançava nas testas de homens e mulheres, crianças e velhos (o calor não conhece exceção) e gritava o cansaço da existência, que poderia ser percebido também pelo arqueamento dos ombros e os passos cada vez mais lentos.
E os meus olhos, ainda não acostumados com a claridade, pediam socorro pelos labirintos das ruas e a multidão opaca, tudo era a necessidade pulsante de ver nas sombras irreverentes, que brincavam de mudar de lugar por puro castigo aos homens, o refúgio para os membros exaustos, os segredos expostos, as diferenças explícitas e deformidades aparentes demais, que o sol,apático a tudo, insistia em expor.
fui.
Há 3 meses