quarta-feira, 31 de outubro de 2007

adriana falcao.

"Muitos guarda-chuvas se abriram, crentes, talvez, que eram flores, já que não é característica de guarda-chuva ter conhecimento de que só se abre porque é aberto...."


(adriana falcao - comedia dos anjos)


terça-feira, 30 de outubro de 2007

eu.

pq eu sou assim e pronto.
enfatizo demais as palavras quando estou indignada.
falo excessivamente quando estou feliz.
estranhamente me calo quando estou triste.
e choro sem medidas quando estou com raiva.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

pedaço de eternidade.

eu vivencio a eternidade olhando nos teus olhos, um gosto de vida me toma e me eleva, visito as estrelas, me visto de luz, descubro a existencia, danço na lua, experimento segredo, absorvo liberdade, me alimento de ti. Num toque, num beijo, num traço, num suspiro a luz de velas, no entreleçar de frases e de peles. tudo se traduz no caleidoscópio do infinito, no para sempre de maos dadas; eu vejo o brilho ofuscante na vida de um hoje que transcende um amanha, que dialoga com o ontem, e termina imortal.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

seca.

e eu sinto sede e bebo água, procuro dar um beijo mais demorado, chego até a desejar me afogar numa poça qualquer.
sinto os olhos se secarem, uso colírio, assisto novelas dramáticas,
leio poemas e abro os olhos bem aberto na frente do ventilador. As lágrimas também nao ajudam.
minha pele ressecada nao pára de descapelar; com hidratantes ou com um banho de sol, de lua, de tudo, de nada... tudo parece evaporar. se esvair.
olho para minhas veias e quero irrigá-las, vê-las florir como a flor de campo simples na minha janela.
seca. árida. improdutiva.
procuro concretos numa luta subjetiva.
procuro objetivos numa dança abstrata.
quero um naufrágio existencial; saltar de um trampolim desconhecido e mergulhar em vida.
e enfim, nascer de novo como a corrente de um rio.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

o tempo.

O tempo é o amigo e o estranho. O doutor e o amante, a foice e o algoz. Aplaudimos e sufocamos, contamos com lágrimas e medimos com sorrisos. O tempo é o vento, e o vento é poeira fina que fica dentro dos olhos.

Tempo é aquele que acarinha o enfermo, satisfaz os ponteiros em sua dança louca e desvairada, mas se perde entre sussurros apaixonados e melodiosas canções de serenatas. Tempo é aquele que mostra que feridas purulentas e profundas são suas companheiras fiéis, e que dores latentes e proibidas fazem parte do seu show de atrocidades.

Chorem alto, lamentem nas vigílias. Doce e amargo é o gosto de quem se submete.

Desequilibrados constantes, aprendendo com noites e dias que duro e enfadonho é o seu penar. O tempo se vai, e não se despede.

Chorem alto, lamentem-se, infames submissos. Tempo é um deus cruel que brinca com suas armadilhas ardilosas e ri gargalhadas corrosivas quando nos prende em uma de suas teias.

Tempo é o vento, e vento é poeira fina que fica dentro dos nossos olhos; uma vez que piscamos e descobrimos que já não somos mais meninos. O tempo se vai, e não pede passagem.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

shhh.

Esse post é uma grande oportunidade de voce ficar calado.
é.
silêncio.
porque tudo faz muito barulho e ate nossos pensametos começam a gritar.
entao.
páre.
a dança louca na sua mente.
a vontade de falar.
esqueça aquela inquietaçao de biblioteca.
a estranheza do emudecer.
se possivel se feche no quarto e curta a ausencia do som.

tudo faz muito barulho.
tudo ta alto demais.
e agora...

nada soa.
no silencio quem reje é a sua lei.
apenas o espaço no meio dos sons. Voce.

essa é a sua grande chance.
....aproveite.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

clarice.

“O homem não é algo pronto, e sim um conjunto de possibilidades que vai se atualizando no decorrer de sua existência. Ele é livre para escolher entre as muitas possibilidades, mas sua escolha é vivenciada com inquietação, pois a materialidade de seu existir não lhe permite escolher tudo — cada escolha implica a renúncia de muitas possibilidades… A inquietação diante da liberdade de escolha é tanto maior quanto for a importância da decisão para o nosso existir”.


mais uma vez deixo ela falar.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

mas eu.

Para uns ele nao existe.
alguns chegam a dizer que é triste.
uns abraçam a desventura.
outros tantos, a amargura.
e alguns poucos, infelizes,
chegam a dizer em prosa e rima
de tal modo que desafina
que apesar de tudo...
ele morreu.

mas eu,
ah,
eu prefiro acreditar nas palavras e sonhar
que acima de profecia, esperança ou heresia
que acima de ouro ou de tesouro
alem de morte ou de sorte
existe e persiste
o amor.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

provas e provas e outras provas.

eles se reunem clandestinamente. esse ano provavelmente escolheram um beco escuro e sombrio. ou uma sala dessas de torturas medievais. ou um arquivo morto com documentos da ditadura. ou ate uma biblioteca de livros sobre hitler,stalin e outros...

delimitaram novas tecnicas de derrubamento.
conversaram sobre estrategias diferenciadas.
colocaram no papel alguns nomes, e riram risadas maleficas.
a sociedade dos professores perversos nao se deixa derrubar.
apesar de negarem qualquer tipo de relacionamento.
apesar de dizerem se apoiar em famosos teóricos.
eles querem nos aniquilar com bombas escritas.
querem nos sufocar lentamente com materiais por cima de materiais.
voce pode sentir o cheiro de vingança.
voce pode ver o sorriso cinico ao entregar as notas.
epoca de provas.
alguem me salve.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

dorothy parker

Quando peso os prós e os contras
das coisas que meu amor encontra
uma boca curva, um punho de fogo
um cenho interrogativo, um belo jogo
de palavras tão batido quanto o pecado
uma orelha pontuda, um queixo rachado
membros longos, agudos e olhos oblíquos
nem frios, nem meigos, nem escurecidos
Quando então pondero usando a razão
nas superficialidades que satisfazem meu coração
sou surpreendida com tal banalidade
me maravilho com a minha normalidade.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

simples desespero.

Eu me tornei co-participante das solidões terrenas. Sinto secretamente as lágrimas constantes em rostos esquálidos,cheios de olhos abandonado e sonhos frustrados. Tenho inocentemente um coração pesado, cheio do vazio de transeuntes. Sou o zero a esquerda, sou uma folha a mais caída no chão. Respiro por obra do acaso e piso com cuidado em solos duvidosos que chamam de vida... Não consigo encontrar alento, minha alma é celacanto em meio à multidão usual.

Não me escondo dentro de mim, o frio de meus pensamentos envoltos em solitudes alheias já não me satisfaz, me alimento no secreto de minhas conclusões insolentes,já não conheço virtudes. Sou o sussurro absurdo dentro da discussão, sou o espaço do olhar entre o adeus e o finito. Sou aquela ponta de rancor no meio do amor, sou o medo persistente que assombra o vencedor, o canto que sobe das ondas e afunda embarcações. Sou detalhe. Sou um todo. Sou o simples desespero.

fragmento do livro Simples Desespero - marta silva

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

revoluçao.

eu tenho dentro de mim um poder tao grande,
que posso mudar jeitos, temperamentos,vidas...
um poder revolucionário e arrebatante. que suspende os coraçãos ao alto e faz amor escorrer pelos poros... uma revolução que começa hoje. e se concretiza de dentro pra fora.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

de súbto.

Acordei de subto. A dor de cabeça surgiu exatamente na hora que abri os olhos e me deparei com tamanho clarao, quase fico cego com todo o impacto luminoso, branco, um vazio brilhoso e eu.

Deitado com o rosto em terra, me apoei na mas minhas maos, braços fracos, tremeram, fraquejaram, ate que consegui me suspender, as pernas não respondiam.Pânico. Gosto de sangue na boca. E uma dor de cabeça aguda e constante.Será que dessa vez até os meus sonhos me traíram?